A Impossibilidade de Utilização de Antecedentes Criminais no Júri: Decisão do STJ

A menção aos antecedentes criminais do réu na sessão plenária do Tribunal do Júri tem sido objeto de intenso debate no Direito Penal e Processual Penal brasileiro. No Habeas Corpus nº 958642/ES, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisou a legalidade desse uso e reafirmou o entendimento de que a acusação não pode utilizar os antecedentes do réu como argumento de autoridade para influenciar os jurados.

No caso concreto, o paciente M. G. J. foi pronunciado pela suposta prática de homicídio qualificado em duas ocasiões. Sua defesa impetrou habeas corpus pleiteando a vedação da menção aos seus antecedentes criminais durante a sessão do Tribunal do Júri, marcada para 07/11/2024. O argumento central da defesa foi que tal prática poderia desvirtuar o julgamento, levando os jurados a formarem um juízo de valor baseado no histórico do acusado, em vez de focarem exclusivamente no caso concreto.

O relator do caso, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, destacou que o Direito Penal brasileiro se pauta pelo princípio da responsabilidade pelo fato, e não pelo Direito Penal do Autor. Ou seja, a condenação de um réu deve estar fundamentada nos fatos apurados e não em características pessoais ou em sua vida pregressa. Com base nesse entendimento, o STJ concedeu parcialmente a ordem de habeas corpus, determinando que documentos relacionados aos antecedentes criminais do réu, que não guardem relação com o caso em julgamento, não possam ser utilizados pela acusação na sessão do Tribunal do Júri.

A decisão reafirma a jurisprudência consolidada do STJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), que já vedam a utilização dos antecedentes do réu como argumento para influenciar a decisão dos jurados. O tribunal citou precedentes como o AgRg no HC 920.362/RS, no qual foi destacado que a menção a infrações passadas pode distorcer a imparcialidade do julgamento. Esse posicionamento tem as seguintes implicações práticas: evita condenações baseadas na personalidade do réu e não nos fatos do crime; fortalece o princípio da presunção de inocência, impedindo que o acusado seja tratado como reincidente no julgamento de um crime específico; garante um julgamento justo e imparcial, preservando a função dos jurados de avaliar apenas os fatos do processo.

O Habeas Corpus nº 958642/ES representa um avanço no resguardo das garantias fundamentais do acusado no Tribunal do Júri. A decisão do STJ enfatiza a necessidade de separar os fatos do crime das características pessoais do réu, garantindo que a condenação ocorra com base no devido processo legal. Essa jurisprudência deve ser amplamente utilizada por advogados criminalistas na defesa de seus clientes, a fim de impedir a introdução indevida de antecedentes criminais no julgamento. Se você ou um familiar está respondendo a um processo criminal e deseja entender melhor seus direitos, consulte um especialista para uma análise detalhada do caso.